Quanto mais se aprende, mais se sabe. Quanto mais se sabe, mais se esquece. Quanto mais se esquece, menos se sabe. Então, para quê aprender?

05
Jun 09

 

Não lhe sei o nome nem de onde veio. Não é velho nem novo. Está ali. Dias e dias a fio. Cumpre o horário e em tempos deve ter usado o hábito de sabedor. Agora arrasta os pés voltados para dentro, curvado pelo peso não sei de quê. Senta-se na cadeira, olha fixamente o monitor do computador que o adoptou quando veio pela primeira vez e ali gasta as horas que lhe devem dar para arranjar o pão que não come aqui. Nunca come. De que viverá? Das letras dos documentos que amplia para ver melhor? Dos cheiros de quem passa? Dos risos dos intervalos? Das vozes esganiçadas? Das visões mais ou menos transparentes?
Não sei o porquê da vinda e também me esqueci do quando. Parece-me ver ali há séculos aquela alma. Penada, mais se assemelha. Não fala com ninguém e da voz só lhe ouvi um murmúrio, uma vez, a atirar uma reza de foda-ses, de enfiada, sem lhe perceber nem o olhar nem a intenção.
A sensação de desconforto cresce enquanto ele examina, medindo, várias vezes quem entra e sai da sala. Pára nos traseiros, abana a cabeça, faz esgares e depois como se uma corrente eléctrica o atravessasse estica o corpo e volta à posição encolhida de ver textos e figuras ampliadas.
Vejo-o a meter o dedo no nariz, a ciciar foda-ses e a limpar os dedos às calças. Abana, cúmplice, o dedo espetado-já-te-cacei para o monitor enquanto lhe vejo o primeiro sorriso de hoje!
Deuses, para que caminhos andamos nós guardados?
 
publicado por Soror AlCuMofadado às 13:06

03
Jun 09

 

Tudo se empenha. Muito, por sinal. Há indicadores (palavra na berra, como outras que se gastam por falta de efeito, mas que interessa isso a quem manda?)
Ele é um tal participar em programas de defesa do ambiente, de educação para a saúde, de preservação do património, de recursos naturais e quejandos. (e fica tudo de uma perfeição intocável nos programas, projectos, ideias, debates e outros)
E tudo se empenha. (deve ser por isso que não se sai da crise, há diligências a mais e resultados a menos)
Eu tenho uns discípulos muito estimulados para um clima propício à aprendizagem e onde o código de conduta é exemplar. Têm, como não podia deixar de ser, a oportunidade, sempre, para expressarem a sua vontade inequívoca e as suas dúvidas.
Por isso, ainda ontem, duma forma eficaz e cortês, surgiu a seguinte questão:
__ Ó mestra, bócê tem um lenço de papel? É que eu ando assim ranhosa. Agora não preciso, mas depois se calhar vou precisar.
publicado por Soror AlCuMofadado às 22:21

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