Quanto mais se aprende, mais se sabe. Quanto mais se sabe, mais se esquece. Quanto mais se esquece, menos se sabe. Então, para quê aprender?

26
Mai 09

 

Dizemos que não repetimos os erros, prometemos até não voltar a pecar, mas isso é apenas intenção e dessas estão as profundezas cheias. E por nossa culpa, tão grande culpa, vamos dando palmadinhas nas costas alheias e olhamos para o outro lado, que só um a fazer frente a um exército inteiro nem no tempo de David e Golias.
Augustineide Octaviliana Deixandar Ouquilhaste e Proteccionada Ferreirosa nasceu. E no dia em que veio ao mundo espetaram-lhe um nome tão pomposo que a criança mirrou. Ficou com uma cabeça pequenina, um corpo de gente e umas manápulas de gorila gigante. Por trás dos óculos arredondados dois olhitos espreitavam a presa e da boca pequenina também saíam um sons sibilantes coroados sempre pela desobediência e arrogância. A primeira herdou-a da mãe e a segunda do pai, ambos briosos do rebento e da linhagem.
Desenharam-lhe uma carta astral tão completa, com tantas conquistas do passado e benesses no futuro, que a petiz, quando contrariada, clamava em altos berros pelos progenitores e a água lacrimal e demais mucos conseguiam os intentos que a perrice e a má educação ditavam.
Tinham os seus ascendentes um jeito especial para ainda lhe acrescentarem diminutivos, daí que a Augustineidinha inchava cada vez que decidia fazer o que tinha decidido. Por isso apanhava as flores, dava pontapés nos mais pequenos, entrava e andava por todos os recantos do convento, e fungando ou vociferando na sua voz de cana rachada, saía airosamente de todas as situações. Bastava abrir a goela, atirar com o que tinha à mão e dizer que chamava o seu bem-aventurado pai e pronto, dava-se o milagre.
Tinha, por ali, uma outra alma gémea do mesmo sexo, com quem se dava duma forma entre o onde-andas-tu, o-espera-que-te-agarro ou levas-um-murro-que-te-parto-as-fuças.
Sobre esta figura carismática hei-de voltar a falar. Um encanto, cada uma no seu género.
O melhor ( entre as baralhações de horários, os pedido diários de chamar a mãezinha-a-minha-menina-é-a-maior por telefone, não-quero-fazer-nada e os tempos a azucrinar quem estava por perto) eram as horas e horas que a pequena-grande-coisa passava no convento. Ia e ia e ia, um sem número de vezes, até ao portão para ver se a vinham buscar. Voltava para trás, sentava-se num canto e então chamava nomes-carinhosos-escolhidos aos outros. Dali, até uma espera dos colegas, mais umas trancadas e gritos pungentes, era um ver se te avias.
Quando saí hoje ela ainda lá estava, entre voltas atrás do rabo e uns olhares por cima dos óculos. Amanhã vai voltar aos mesmos lugares, meter-se com as mesmas pessoas e fazer exactamente as mesmas coisas, porque os abençoados procriadores querem que a sua Augustineidinha seja doutora-normal-sábia.
E vai ser, com os nossos olhos fechados e a santa graça dos altíssimos.

 

 

 

publicado por Soror AlCuMofadado às 19:42

Já é sábia.
E isto é tudo muito triste e hoje de tão cansada nem consigo rir nem rimar.
Deixandar!
Santa Eulália a 26 de Maio de 2009 às 22:10

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