Quanto mais se aprende, mais se sabe. Quanto mais se sabe, mais se esquece. Quanto mais se esquece, menos se sabe. Então, para quê aprender?

27
Jun 08

 

8 e 30.
Os frades e freiras sentam-se, em volta das mesas unidas, durante as orações matinais, para darem início aos trabalhos, dos quais serão sempre lavradas actas.
Postas as mãos, lida a ordem de afazeres, sobressai uma voz harmoniosa.
‘Não sabeis o que é o mirtilo? Deuses, como se pode ainda ser feliz neste mundo.’ murmura Soror Maneleide.
Lá no convento para além dos azedumes aprendem-se umas coisas mais doces, embora eu continue convicta que a verdadeira felicidade reside na total ignorância. Sabei que depois de se provarem determinadas iguarias é difícil ficarmos por ali.
Já vos falaram em arando ou uva-do-monte? Santa incultura.
Pois sabei que actua em casos de diarreias graves, o que faz imenso jeito nesta altura do campeonato. É ainda indicado para acção local no alívio de inflamações na boca e catarros, o que também está adequado a esta época do ano. E pasmai, na culinária pode ser utilizada em geleias, marmeladas, vinho e bolos!
 
Vereis que depois de provardes o verdadeiro mirtilo todos os outros frutos parecerão poucos suculentos, com pouca melosidade e sem proporcionarem consolo às almas e aos corpos.
Suspiram os conhecedores, rebuscando nas memórias o sabor perdido e aguçam-se as mentes prestes a perderem a inocência, santa inocência! quando soa a voz abrasada, lá dos fundos, da Soror Filodeia: ‘Vá, vá, toca a despachar, que quero ir ver o jogo!’
 
publicado por Soror AlCuMofadado às 11:49

Junho 2008
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
21

22
23
26
28

30


arquivos
2009

2008

mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO