Quanto mais se aprende, mais se sabe. Quanto mais se sabe, mais se esquece. Quanto mais se esquece, menos se sabe. Então, para quê aprender?

30
Mai 08

 

Numa das minhas visões, que outros chamam sonhos ou de modo mais apropriado pesadelos, entro em conversa, num corredor do convento, com a Madre Lourdes.
Eis que saio da cela, ajeito o hábito por hábito, e saem-me, assim como as palavras entregues nas Tábuas a Moisés, uma lista de objectivos mínimos, para resolver de vez os problemas da educação e sermos os melhores da Europa em estatística.
Fica sempre bem, ora pois, muito palavreado gasto, muitas teorias já testadas noutros países, muitos disparos e poucos acertos no alvo.
Na versão moderna, isto sai tipo Decreto-Lei, com capítulos, artigos e alíneas.
Por já estar a pensar no capítulo MCDVIII da Lei do Quadro dos Novos Génios Plenos de Oportunidades ( Lei nº 2987564321/08 de 31 de Maio), passemos directamente para os objectivos a atingir em final de percurso nos nossos conventos, com passaporte garantido para outros mosteiros.
Assim, pretende-se que quem quiser ser considerado alfabetizado e quiser exibir um diploma, equivalente a licenciatura, (e sendo a escolaridade obrigatória até aos 25 anos), terá de ser capaz de conseguir:
- Escrever o primeiro nome numa linha (e colocar o til no lugar certo, se for o caso) e não trocar qualquer letra, usando no início uma maiúscula;
- Contar até 10 sem se enganar na ordem, podendo usar os dedos das mãos ou dos pés;
- Estar sentado 5 minutos consecutivos, sem mexer o traseiro ou outras partes do corpo;
- Indicar, com certeza absoluta, que o coração não está alojado no intestino;
- Saber que a capital ainda é Lisboa e não a Cova da Moura ou Loures;
- Dizer, desde o berço, iamen,  fókiu e sanavabix; em Inglês;
- Teimar que o primeiro rei de Portugal não se chamava Sócrates;
- Dar uns chutos numa bola e ter como modelo o Ronaldo ou o Mourinho;
- Usar um portátil e sacar downloads grátis, em banda larga;
- Desenvolver a expressão e a comunicação através da utilização de linguagens múltiplas e asneiredo ordinário como meios de relação;
- Rabiscar, com spray, em monumentos e casas, como forma de informação e de sensibilização estética;
- Arranjar, não interessa como, o telemóvel de última geração;
- Utilizar o cartão de crédito dos pais até conseguir um emprego adequado às suas habilitações académicas.
(…)
 
Citando o nosso mui amado PM: “Não há nenhuma receita mágica para o crescimento económico. Mas uma coisa sabemos: nenhum país teve sucesso sem apostar no conhecimento."
 
Apostemos, Madre! Com os objectivos propostos, estaremos, sem sombra de dúvida, a favorecer a formação e o desenvolvimento equilibrado do individuo, tendo em vista a sua plena inserção na sociedade como ser autónomo, livre e solidário.
 
publicado por Soror AlCuMofadado às 23:42

Foi graças a um amigo em comum (e não dos que se encontra nos conventos) descobri estas epístolas que no pouco que li me fizeram rir e chorar ao mesmo tempo. Realmente é triste ver que este país não avança, não se instrui e não aprende... Mais triste ainda é ver que estamos lado a lado com os outros países da Europa no que diz respeito à tecnologia sem, no entanto, que seja dada a devida atenção à formação básica nem que seja para escrever o nome sem erros e contar até 10 sem ser pelos dedos (dos pés ou das mão tanto faz).

Obrigada por partilhar esses sonhos.
mystique a 3 de Junho de 2008 às 09:19

Sabes,

É presiso que tênhamos atensão ao português, sem dúvida, mas nos dias que correm, deve-mos ter muito mais atensão há matemática. Pêlo menos para ver se não somos gamados como temos sido, se sabemos fazer as contas entre as faltas que démos e as que podemos dar, para saber quantas inda falta dar, para saber cuantas brocas podemos comprar porcausa do aumento do custo de vida, uma vez que a mezada é a mesma, e logo, saber-mos quantos putos temos de fanar, para manter o nivel de vida.

Cuanto a eças coisas que falas de cartão de nã sê quê, já népias usa porcausa que a bófia nos apanha mais depreça.

Arma de Arremesso
Anónimo a 5 de Junho de 2008 às 12:43

Apostei, Soror Angélica, mas foi no totoloto para ver se mando o convento prás urtigas! Mas não há modos....
Será que vou ter de me converter às novas oportunidades e aos objectivos mínimos dos mínimos. Ah, perdão, competências, queria eu dizer. Skills, está a ver irmã? Até eu já sei esse palavrão na língua dos camones, oh yeah!
Santa Eulália a 9 de Junho de 2008 às 00:42

Maio 2008
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
17

18
21
23
24

25
27
28
29
31


arquivos
2009

2008

mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO